É maravilhoso matar a saudade de quem se ama. Deus deu-me esse presente, hoje, duas vezes! Pela manhã, dei uma aula na Igreja Batista do Mário Amato, onde fui membro por três anos. À noite, transformei a aula em sermão e preguei na Igreja Batista Unida de Martinópolis, onde fui membro por um ano e meio. Esta Igreja, a Batista Unida de Martinópolis, deu-me a alegria do pedido de concílio examinatório, seguido da ordenação ao ministério. O concílio, dia 28/03/2009. A ordenação, dia 07/04/2009, mesmo dia em que me encontrei com Jesus de forma a render-me aos pés da Cruz e ser reconciliado com Deus, ou seja, o dia da minha conversão.
Para começar o ano, então, a mesma mensagem para estas duas amadas igrejas, das quais guardo no coração tesouros de maravilhosas recordações: "A vida do jeito de Deus", uma reflexão baseada no Capítulo 12 da Carta de Paulo aos Romanos.
A vida do jeito de Deus
A nossa vida pode ser vivida de duas maneiras: do nosso jeito ou do jeito de Deus. A dádiva divina do livre-arbítrio, nosso poder de decisão diante das escolhas da vida, é o que nos torna parecidos com Deus, pois nossas escolhas são atos criadores, assim como Deus é Criador. Neste ponto, especialmente, é que temos com o Pai imagem e semelhança: o poder de criar nossa vida, nosso destino, através de pensamentos, palavras e atos. E podemos fazer isso do nosso jeito, apenas, desconsiderando o jeito de Deus. Esta foi a escolha de Adão.
Podemos, também, viver a vida de jeito de Deus, considerando a vontade Dele para nosso caminho, todos os dias.
Considerando o capítulo 12 da Carta de Paulo aos Romanos, a vida do jeito de Deus implica em:
1. A mortificação dos desejos ruins praticados através do corpo, mas nascidos na mente: "Portanto, irmãos, exorto-vos pelas compaixões de Deus que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável, que é o vosso culto racional" (verso 1). Tudo o que o corpo faz, começa no pensamento. A mudança do pensamento é a principal de todas as mudanças, quando se quer caminhar mais em direção a Deus e ao próximo.
2. Conhecer a vontade de Deus, que vai na direção oposta à vontade do mundo: "E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (verso 2). No mesmo sentido do verso primeiro, este verso não aponta para uma ação isolada na vida, mas para um conjunto de ações que, somadas, constituem um estilo de vida diferenciado. O mundo, com o seu sistema, nos quer: egoístas, consumistas, vivendo de aparências e conjugando mais o verbo ter. Deus, ao contrário, nos quer: altruístas, simples, vivendo nossa essência verdadeira e conjugando mais o verbo ser. Para o mundo, a preocupação maior está em ter. Para Deus, a preocupação maior sempre estará em ser. O mundo exalta nossa aparência. Deus sonda e olha para a nossa essência.
3. A arrogância aprisiona e adoece os relacionamentos, ao passo que a humildade os liberta. Deus não nos criou para a total dependência dos outros, nem para a total independência, mas para vivermos a interdependência uns dos outros: "Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo mais do que convém; mas que pense de si com equilíbrio, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um" (verso 3). Para viver do jeito de Deus, a humildade deve ser o tempero dos nossos relacionamentos, e devemos aceitar com naturalidade a interdependência uns dos outros.
4. A igreja não vive sem o exercício dos dons dados pelo Espírito Santo. Ao exercitar seu dom, você abre um canal para a ação abençoadora de Deus em sua vida e na vida dos outros: "Pois assim como em um corpo temos muitos membros, e todos os membros não têm a mesma função, assim também nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo e, individualmente, membros uns dos outros. De modo que temos diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se é profecia, que seja de acordo com o padrão da fé; se é serviço, que seja usado no serviço; se é ensino, que seja exercido no ensino; ou quem encoraja, use o dom para isso; o que contribui, faça-o com generosidade; quem lidera, com zelo; o que usa de misericórdia, com alegria"(versos 4 a 8).
5. A paz com Deus implica em esforço para se ter paz com o próximo. E a paz com o próximo não ocorre quando damos lugar à vingança, ou permitimos que a ira (raiva) seja transformada em mágoa enraizada. É uma ordem de Deus para nós: o mal deve ser vencido com o bem: "Se possível, no que depender de vós, vivei em paz com todos os homens. Amados, não vos vingueis a vós mesmos, mas dai lugar à ira de Deus, pois está escrito: A vingança é minha, eu retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, se fizeres isso, amontoarás brasas sobre a cabeça dele. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem" (versos 18 a 21).
Amontoar brasas sobre a cabeça de alguém, retribuindo o mal com o bem, significa criar nessa pessoa um novo estado de consciência, uma consciência mais perto de Deus. Ao olhar para a sua bondade em troca da maldade ofertada, a pessoa irá ficar confusa (brasas amontoadas sobre a cabeça) e, quando buscar uma explicação, a encontrará na sua relação com Deus.
Um bom exemplo de pessoa que pagou o mal com o bem está na mãe do ex-presidente Lula, Dona Lindu. Foi abandonada pelo marido, ficando com muitas crianças para criar sozinha. O marido foi embora com outra. Ocorre que, a certa altura, o marido também abandona a outra, que fica também sozinha, com filhos e sem ter para onde ir. Dona Lindu, então, a acolhe em casa e, além disso, sai de porta em porta pedindo roupas para as crianças da mulher que lhe roubou o marido. Um exemplo grandioso de trabalho na seara do bem e abnegação em favor do próximo. Um exemplo grandioso de alguém cuja alma era pura o suficiente para pagar o mal com o bem.
Um beijo no coração, e fiquem em paz com Deus, em nome de Jesus! Amém! Pr. Ruyter

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